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Flerte

Começou com um “Te vi ontem de longe”. A vontade do outro lado era de responder de pronto usando “Ah, se de longe tá bom é melhor ficar assim mesmo…” Mas — angústia-vai-angústia-vem — pintou um “Quer me ver hoje?” e foi tipo no instinto o disparo de um certo “Só se for bem de perto”. A maneira como certas questões se apresentam e se resolvem/dissolvem, é um território em que se pode ainda enxergar originalidade. Sim, dá pra falar em “originalidade”, aí, nesse terreno. Assim como se pode afirmar que é mais fácil falar sobre como elas, as questões, se apresentam, do que sobre as questões-em-si. Este não é um texto para formar samurais. Questões-em-si, na maioria dos casos, seriam boas se ficassem longe. Aplausos para a originalidade, que consegue às vezes entortar as coisas.

Singularidade não anda sozinha. Quando está de mãos dadas co’a sutileza, constrói uma pradaria de beleza ímpar. Uma amplitude danada de bonita, mesmo vista numa telinha de celular. Que é onde todo mundo vê o troço todo, hoje em dia. Né? Quando uma companhia (dona Sutileza, no caso) for capaz de garantir a existência de piadas perigosas, ela mais do que deve ser vivida: deve, isso, sim, ser celebrada. É quase um flerte com a autodeterminação, sem correr o risco de enganar o cara dizendo que crescerá nele um samurai. É do que prescinde o sujeito que vende bilhetes de loteria e pede um refrigerante e uma empada a quem estiver sentado no bar. Bebe o que tem. Come o que tem. Nossa Senhora das Empadinhas nem sempre faz o milagre pelo qual reza o fiel.

Ainda tem gente que vende bilhetes de loteria. Perguntam o ano em que você nasceu e se houver ali uma milhar com aquele número… prepare-se para ser firme no “Não, não quero”. Mas… Do tamanho da fome deveria ser também a retumbância do agradecimento. Como um prêmio na Federal, com bilhete inteiro. Não é porque Nossa Senhora das Empadinhas dessa vez garantiu o frango, no lugar do camarão, que não merece uma… uma missa. Ela, a santa, estava longe ou mostrou-se próxima, quando matou a fome e a sede do mané?

O que acontece é que a gente, a gente que não é samurai e jamais vai ensinar alguém a segurar uma espada, a gente se confunde com os sinais que aparecem. E com as piadas que youtubemente falando se mostram necessárias para uma vida plena de realizações, quer dizer, de seguidores. Aconteceu outro dia com um cara que se viu diante de uma banda que misturava alemão e japonês. Idiomas. Misturava os idiomas, não cidadãos.

Uma banda pode mesmo te apresentar mais problemas do que diversão? Vai saber. Tinha o caso daquela chilena que ficava com o pé atrás com as músicas do Nirvana, porque achava as letras pesadas. Não queria cantar aquelas coisas. Não queria aquelas influências. Não queria. Não queria ficar perto daquilo. E nem mesmo longe sentia-se segura.

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@monteiro4852 #108

Vamos viajar?

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@monteiro4852 #107

Firme!?

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@monteiro4852 #106

Foi uma noite agradável, certo?

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@monteiro4852 #105

Você imagina o motivo? Sentiu o frio?

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@monteiro4852 #104

Tem coisa que demora. E tem coisa que demora demais.

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@monteiro4852 #103

Todo mundo pode voar.

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@monteiro4852 #102

Frio? Daqui a pouco, o calor volta.

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@monteiro4852 #101

O que é que você esperava? Depois desse tempo todo, o que é que você esperava?

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A gente que desenha #2

Dias em que você em algum momento acha que não deveria ter saído de casa. Dias em que uma certa timidez toma conta de tudo. Aqueles dias. Dias em que o pessoal do laboratório atrasa três horas, ferra com o intervalo do almoço, faz o jejum transformar-se num vazio-de-ódio. Dias em que quase se dá graças à Deusa pelo cabelo comprido, quase um superpoder, quase um manto-da-invisibilidade. “Tipo hoje”, x modelx parecia dizer, usando aqueles poucos centímetros de franja como uma lona de caminhão. Vale tudo, em dias assim. Tudo para se esconder.

Nenhum intervalo entre as poses. Pressa. A vida está passando. O alarme do celular mais do que funcionar bem parece estar acelerado. O rosto não pode ficar sempre virado para a parede dos fundos, então, aquele imenso vazio para onde elx olha parece tão importante e tão cumpridor do papel de acolhedor de desespero que até dá vontade de a gente que observa virar pra tentar entender o que há por lá.

Encarar de frente uma plateia que empunha objetos como papéis e lápiz e bastões de carvão e sprays de laquê que não serão usados na cabeça pode ser uma tarefa complicada num dia complicado. É quando plateia rima bem com alcateia. Um quase-exército de lobos-rabiscadores, com seus olhares sedentos/atentos mais grafites de diferentes calibres. Um “perigo”, uma “ameaça” iminente. Algo que se apresenta como um imenso centro de alvo para tiro, de onde — ainda mais num dia assim — não se pode fugir.

Dia que ninguém merece. Ou dia DE ninguém merece? Dia de cansaços que retornam, de dores de cabeça que transbordam. Dias de males-me-querem. De tambores frouxos, com os quais nenhum maestro pode conduzir uma marcha. Dia de marcha à ré. Um desenho sendo feito ao contrário: sendo desfeito, portanto. Um risco que apaga, em vez de registrar. Que dia.