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@monteiro4852 #38

De bobeira? Dá uma volta por Copa, coma num japonês ou tome um cafezinho numa esquina qualquer. Tá o maior solzão. Sol é amor.

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@monteiro4852 #37

O que você precisa deixar para trás?

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Magnéticas

Tinha 13 anos e quando percebeu que acreditava que seguir as pessoas certas pod(er)ia “dar dinheiro, um dia”, no Grande Jogo. Estava com a razão. Aos 31, tinha um carro que era o mais caro da vizinhança. E era uma vizinhança fresca, vale dizer, não a região miserável onde havia passado a infância e a adolescência de cara para o computador, aquele único grande luxo a que tivera certo acesso. Estava satisfeito por conseguir seguir as pessoas certas. Sentia aquilo como um dom. Dom dom mesmo, não dom de domingo.

Começaram a inventar um monte de coisa. Cada coisa… Precisavam criar, inventar. Era o jeito. Jeito de quê? De fazer o cascalho circular. Assim, rolou de os engravatados — porque estávamos numa nação de pessoas apaixonadas por gravatas e engravatados — criarem/flexibilizarem regras que transformariam milhões de seguidores em milhões de pingadores-contribuintes. Começar a seguir alguém na hora certa podia fazer de um adolescente de Rox Mix um playba com bala n’agulha.

Havia quem acreditasse que aquilo era uma nova onda de Young Urban Professionals, que outrora haviam sido enquadrados como Yuppies. Ums cusparada para o alto. O pombo que nasceu para acabar com a alegria do bancário na hora do almoço. Tem “Yupicide” escrito num encarte qualquer de uma banda californiana de punk rock. E aí o moleque percebeu que tinha um “talento” para ir atrás de, sei lá, rappers que um dia se transformariam em sucessos-fenômenos de massa. E modelos. E jogadores de futebol. Imagina ser o “dono” de cadeiras na primeira fila de estádios virtuais. Estava nos filmes de antigamente: lugares em estádios são bens preciosos.

Chegaram ao cúmulo de vender posições. Quanto cascalho rolando. Vender posições? É, vender posições. Se você é o centésimo mané, digo, investidor-cidadão a clicar naquele botão, pode ser que, dali a algum tempo, quando outras 37 milhões de pessoas tiverem feito o mesmo, aquela posição no ranking valha algum cascalho. Porque vira ranking. É como pagar mais para ter um bom lugar no estádio em que aquela celebridade vai aparecer. Quase isso mesmo.

Andava pensando em alianças. Carregava na cabeça a frase que havia lido, fazendo alusão às posses de um jogador de futebol. “O cara carrega um apartamento nos dedos.” “Que dinheirinho bom, hein, hein?” Joias. Queria ter joias. Tinha seguidores. Seguia e era seguido. Na “humildade”. Estava no caminho certo. Joinhas.

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@monteiro4852 #34

Vinte e quatro por sete. Ou Trinta e quatro por sete? Vai saber…

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Sol-sol-mesmo

Estava escuro, quando ela tirou da bolsa aquele pequeno objeto. Parecia uma aliança. Vinha alguma coisa escrita, ali no miolo: dois nomes. Palavras que a gente teria lido com muito mais facilidade se naquele instante houvesse sol. Quer dizer, tinha sol. Mas a gente aqui está falando do sol-sol-mesmo e não da luz e do calor super-intensos que uma pessoa é capaz — mesmo durante o sono — de soltar ao longo da madrugada. Depois de fazer as contas, porque além de palavras o negócio trazia também números, havia um resultado: 25. Isso, 25 era a resposta. Todo mundo ali precisava de uma resposta, não dava para esperar pelo sol-sol-mesmo, que demoraria ainda um pouco para aparecer.

Estavam mais uma vez mergulhados na madrugada, quando mesmo com a voz baixinha a gente é às vezes capaz de gritar/rezar por explicações, quer dizer, respostas. Ou sol-sol-mesmo. Na madrugada, sussurros são como gritos para dentro. Como gargalhadas desentupidoras. Palavrinhas ácidas que vão corroendo os canos; às vezes, dando à carcaça uma chance de reviver movimentos que há muito andavam esquecidos. Depois de experimentar isso, você pode ter certeza de que os minutos que precedem a alvorada são os melhores para os bons desentupimentos. Desobstruções que se tornarão inesquecíveis. Há quem diga que novas vidas nascem sempre neste período do dia.

Com o resultado decorado, o que não foi difícil de conseguir, mesmo um pouco bêbados, tinham dado o primeiro passo sugerido no mapa. Havia um mapa. Ela o tinha tirado da bolsa logo depois de mostrar a ele a aliança. Houve também um minifestival de piadas. Porque ela acreditava ser impossível mostrar uma aliança a um homem sem fazer alguma graça, sem desconversar, sem embaralhar expressões, sem deixar pelo menos por um momento o interlocutor confuso, quase perdido, duvidando da sua capacidade de entendimento.

Ainda havia alguma coisa, na garrafa. Já não estava gelado, como antes. Mas era alguma coisa. Serviu bem. Empurrou, por uns bons instantes, bem pra frente, qualquer coisa que pudesse parecer uma sentença. Sentiram de perto a respiração um do outro. De olhos fechados, viram olhos fechados. De olhos abertos, viram algo que não conseguiam entender. Iam mais fundo. Suavam, mesmo na reta do ventilador. De vez em quando, rapidamente, fugiam dali, e se perguntavam por exemplo por que o ventilador não dava conta das coisas. Mas voltavam logo, porque o suor não era um problema.

“O que a gente faz com o 25?” “E agora, a gente tem o 25?” Não foi exatamente a mesma frase, mas quase… Ela sabia a resposta, porque tinha o mapa. Mapa é o jeito de dizer, pra parecer aquela coisa de caça ao tesouro. Estava mais para manual de instruções. A resposta dela veio antes que ele tivesse chance de insistir no questionamento. Ele tinha esse problema do questionamento, coisa que deixava a menina irritada. “Vamos ver o que está escrito na linha 25”, orientou, experimentando em seguida uma leve irritação diante daquilo que considerou ser uma expressão de desgosto dele. O homem se explicou, o quanto antes: “Cara… Olha essa letrinha, parece que é ainda menor do que a da aliança. Como a gente vai conseguir ler o que está escrito aí?” Foi quando o sol-sol-mesmo nasceu.

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@monteiro4852 #33

Vai encarar? Tá olhando o quê?

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@monteiro4852 #32

Barriga cheia? Barriga cheia mesmo? Então, tá certo.

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Bronzeado, o sonho

Aquela coisa do Verão. Quem vai ver? Todos verão? Mais do que aquilo que se mostra, faz diferença a “cor” em que as pessoas em volta acreditam, o brilho que veem/percebem. Tanto quanto umas boas horas sob o sol, vale escolher a maneira “certa” de se posicionar. Mais do que investir num tomara-que-caia, escolher a blusa certa com alcinhas bem finas. Assim no diminutivo mesmo. Sempre lembrando de rezar por uma estação que não seja de muquiranas enchendo a paciência de quem quer descarregar pisando sem chinelos na areia. Ah, a areia… nunca fica bronzeada, resiste aos raios. Raios, raios, raios triplos, nas imortais palavras do Dick Vigarista; porque vilão bom é o que perde sempre.

Quando não há necessidade de esclarecer nada, quando o desfecho está ali plantado e basta esperar o negócio crescer. Paciência, paciência. Mesmo se chover. A julgar pelos sorrisos de quem passa, a construção de uma consciência de calor. Quando a gente pode acreditar na Justiça e sabe que não precisa pressa. Pode haver precisão na pressa? E, ao mirar numa necessidade, o que se acerta são todas as arestas que fazem o perrengue ser perrengue e de repente — Bum! — fica tudo certo, tudo bem, tudo certo, tudo bem, tudo certo. O Verão pode não ser certo, mas o bronzeamento é.

Aquele cheiro de manifestação, aquela entrega livre de conflitos. Uma determinação descontraída e sorridente. Dois paus e a cobra livre, sugerindo ali a criação duma nova perspectiva do que são os direitos dos animais. Animais de esquerda. Animais de centro. Animais de direita. Pássaros com bicos que destroem gaiolas. Ratos e gatos trocando ideias, certos de que a cachorrada é indispensável e estará no time, em muito pouco tempo. Quem nunca sentiu vontade de latir, de uivar, diante de um fogaréu?

A pessoa e o próprio umbigo se entendendo como se fossem uma pessoa e o próprio umbigo. Aproveitando as doações que vieram com o melhor Axé, sem medo de dividir aquele segredo com quem quer que seja — porque não precisa mais ser segredo. Dinheiro pra pagar chope pra quem está sem. Todas as paçocas que a criança está vendendo, porque aquela é a última rodada dela neste tipo de empreitada, não a última da noite, mas a última-última-mesmo. Que pele, que pele, gente.

A música lá longe, a noite toda. A espuma na taça. O desejo vestido de monge. Uma série inteira precedendo o desmonte, alguém que não se esconde. O medo de parar. O horror diante do empate. A vitória que é pra ser geral. A gentileza ímpar, sorridente mas despretensiosa, convidando para mais um gole. O fogo. A faca. O porre. Bronzeada, a pele fica mais sensível. E nobre.

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@monteiro4852 #31

Primeira Pata-Maravilha do ano. Ou Wonder-Duck, if you wish. Ano Novo nessa joça. Esperando pela vacina, pelo Amor, por um novo pastel de siri. Com paciência. Esperando, esperando, esperando.

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Esperança

Dedo Mindinho, Seu Vizinho, Maior De Todos, Fura-Bolos, Mata-Piolhos. Continue cantando: “Cadê o docinho que tava aqui?” Agora, sério: se forem procurar um “culpado” diferente, em vez de deixar o Gato ir atrás do Rato, como sempre foi feito… a coisa pode ficar ruim para o Seu Vizinho! Pode apostar. Porque é um dedo aparentemente sem moral nenhuma. SV, coitado, parece que dá no máximo a sorte de ser confundido com SUV, que é aquele carro do playba que tem muito para gastar em seguro e gasolina. A ladainha pode piorar se estivermos falando do pessoal do andar de baixo: neste caso, os dedos do pé.

Será mesmo? Abaixo o coitadismo (esta palavra tão da moda). Dá para dizer que, assim como o classe-mediano motorizado vive de ilusões, o Seu Vizinho Do Pé circula bem menos coberto por esparadrapos do que o Mindinho. A comprovação estava no testemunho de um mané que, outro dia, num boteco, de Havaianas, exibia o menorzinho todo coberto por uma fôrma/armadura branca. “Foi o Magnetismo: o Mindinho sempre atrai a quina do armário ou a porta. Acontece demais”, repetia, com cara de quem ao caminhar experimentava ainda alguma dor.

“Fura Bolo” já foi até nome de picolé, lembra? Da (boa e velha) Gelato. Mas o SV, discreto, consegue significativo destaque, quase holofotes, nos encontros do pessoal grati-luz-descolado. Quando a terapeuta invariavelmente começa com aquela história de “levar ‘vida’ a partes do corpo que estão esquecidas”, ele, o Seu Vizinho Do Pé, leva tanta massagem e estímulos/carinhos quanto um irmão mais famoso (o Mindinho) e muito mais do que outro mano superpop (o Dedão). Sim, é com massagem e mimo que (quase-)místicos dão vida a partes do corpo que sofrem por conta do esquecimento. O cérebro pode mesmo ser um vacilão, né? A família de dedos comprova.

Pode haver quem aponte que o Seu Vizinho Do Pé na verdade dá mole por ser um dedo que mergulhou na timidez. Aquela história de o Sol brilhar para todos, manja? Vai saber… Outro ponto é que, se, por um lado, ele, o  SVDP, não tem tamanho de caçula, lugar/posto que pode garantir muitos privilégios vindos dos pais, também não fica sob o jugo de todos os outros irmãos. A gente sabe que irmão mais velho pode ser o cão, né? Esses dias mesmo alguém tava falando que numa família do Méier os três mais velhos obrigavam a mais jovenzinha a comer minhoca. Isso antes de a TV exibir “Jackass”.

Tudo bem que na hora de um footworship a chupação/adoração fique mais para outrem. Se há um dedo poeta, um “sofredor” capaz de emergir do sofrimento e revelar-se um habilidoso intelectual ganhador de prêmios, é sem dúvida o SV. Do pé ou da mão. Porque fora das historinhas já convencionais e infantis, como a famosa musiquinha cantada no início desta prosa, sobra a disposição/paciência, verdadeiramente uma necessidade de observar o mundo e com isso construir uma fábula diferente. (Que alguém entenda.)