Ainda dá pra chamar de Ano Novo. Mas, não, não é pra contar com um tratado ajustadinho para esta época, papinho de recomeço; por mais que também possa ser visto/lido assim. Afinal, tem tanto tempo que… é melhor não ignorar três sinais-cutucadas-insPIRAÇÕES num mesmo dia de um novo ciclo de 365 dias. Talvez esta frescura, quer dizer, frescor de início de jornada sirva mesmo pra isso, pra sacar tolices. Primeiro, foi o ciclista falando de Charles Bukowski, juntando bike e álcool, coisas que nunca combinaram bem. Depois, uma quase-roda de Capoeira, em que dois malandros pressionavam um terceiro. Na roda-roda mesmo, isso até poderia ser considerado uma “chamada”. O que queriam arrancar com aquele jogo? E pra terminar, tem a Lua Cheia deixando claro — iluminando mesmo — que, se é pra vagabundear num almoço de quarta-feira, que isso depois renda umas linhas. Sem estresse, pelo amor da Matrix.
Um ano recém-inaugurado, convidando escribas enferrujados a desengavetarem o WD-40 e o óleo de máquina, porque para lubrificar fantasmas mandinga pouca é bobagem. Já se sabia que assombrações não morrem. E comecinho de janeiro pode ser bom para desistir, mais uma vez, de seguir nessa tentativa de vidinha inoxidável. Pressão na roda tem seu lado positivo, quando o jogador consegue lembrar dos velhos ensinamentos e mantém o sorriso. A zoação pode ser eterna, mas de todos os lados deve haver sempre um largo revelar de dentes acompanhando tudo.
A Inteligência Artificial entrou na conversa e não demorou muito para reclamarem dela. A condenação por unanimidade abriu espaço para piadas com (a) linguagem neutra. Uma piada puxa outra. Novos caminhos se abrindo, essa é a batida. Estava tudo indo quase muito bem. Até pintar a proposta de criar um novo grupo de WhatsApp. De repente, no ano que vem; mas alguém precisa estudar essa necessidade de plateia, de palco, de querer falar para minúsculas multidões, de descompromisso com as individualidades. Não é estranho pensar que não há nada que alguém queira falar só pra você, que tudo precisa ser dito em “grupo”? Isso é era-de-aquário demais pro zodíaco de qualquer um. E no zodíaco dos outros é sempre refresco.
Ozempic? A invasão do país vizinho, para libertar uma nação dos quilos extras personificados na presidência, ganhou algum destaque e… Bom, isso está ou estava nas manchetes do mundo inteiro. “Manchete” é o jeito de dizer. Primeira página de jornal hoje em dia serve para quê? Uma chance, uma palavra. Publicidade! Mais fácil e mais impactante é a coisa, a (des)informação, no caso, estar em todos os grupos de Zap. Maldito Zap. Está assim tão ruim olhar na cara de alguém e puxar assunto, com calma, e sem repetir “rsrsrsr” ou “kkkkk”? Como se fazia meses atrás, sabe? Ou serão anos? Para responder, por favor: nada de mensagem via smartphone. Menos ainda se a mensagem for um arquivo de áudio. Pelo amor da Matrix!
Imagina um grupo de troca de cartas. À moda antiga. Não dá. Imaginação tem limite. Por exemplo: limite de transferência de dados, por mais “generosos” que sejam os pacotes oferecidos pelas operadoras. Daqui a pouco, um defensor do anarco-capitalismo dirá que grupo de Zap pelo menos não tem anúncio. Do jeito que as coisas vão, não será assim por muito tempo. Imagina a monetização das conversas, o aparecimento de anúncios antes de o sujeito ver o “texto” do amigo de colégio que queria só confirmar o horário do churrasco no próximo sábado.




