Pow! Bump! Splash! Não era um antigo episódio de “Batman”, aquele do Adam Gordinho West. Eram os oitis. Peraí, que eles merecem uma maiúscula: OITIS. Quem merece uma, leva cinco; fácil, fácil. Feira boa é assim. Então: existiu o “padrão Fifa”, preenchendo os discursos classe-medianos, anos atrás. Agora, vivemos o Padrão-Oiti. Você pode achar que não merece nenhum no próprio quengo, mas… Nesse Rio de Janeiro de Meu Deus, asfalto marcado e com aquele cheiro meio de azedo… Pow! Bum! Splash! Escapou de três, mas vem o quatro e Zap!
Dois cafés. Dois minutos. Os dois perdidos ou perdidamente alguma coisa. Protegidos dos oitis, ali, embaixo da marquise. Dois loucos, como muitos apontavam. Assunto terminado ou engasgado, tanto fazia, os celulares eram sempre a escolha-continuação óbvia. Se alguém precisa entender o que é zona de conforto, é porque não tem telefone-esperto. Duas redes sociais, cada um na sua. Nada de pagar boleto, naquela hora. E um caldo de ternura de repente encharca o aparelhinho. Era uma foto do falecido Seu Fred.
A imagem tinha aparecido num dos 200 grupos de WApp que recheiam a vida da gente que se presta a internetices. Tem até quem fique triste com fim de grupo de WApp. Pow! Bum! Waaap! Tem gosto pra tudo. Tem tristeza pra tudo. Naquele grupo, em 20 minutos, a foto do Seu Fred já havia alcançado 22 coraçõezinhos , meia dúzia de joinhas e três palminhas batendo. Parece que não existe emoji de oiti.
Na imagem, além do falecido, apareciam Didi, Sassá e Vampirão, sendo que este último mostrava-se meio deslocado, na fita; garantindo ao registro uma certa descontração. Vampirão ainda não era conhecido assim, quando aquela foto foi clicada. Tira uma onda, ele, hoje em dia, declarando xeque ao celular e ao papel que o aparelho ganhou nas relações. Vampirão não usa PIX e faz disso uma bandeira. Bandeira 2, porque ele cobra caro pelos cigarrinhos de artista que descola para os mais cascudos.
Seu Fred morava no Complexo 591, o maior prédio/condomínio do bairro. Diziam que aquele lugar fazia o papel de um Google da vizinhança, porque ali era possível encontrar de tudo. Era de onde vinha o Seu Fred, segundas, quartas e sextas. Não precisava digitar nada: ele aparecia. Tinha um horário mais ou menos certo, pra isso acontecer. A vida da gente é feita de WApp, de um Google às vezes “próprio” e de uma saudade inexplicável. E parecíamos estar todos satisfeitos assim. Três minutos depois, 25 coraçõezinhos. Pow! Bum! Womp!
