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Bugado, em dia de jogo

Perder tempo pensando no que fazer, quando vier o prêmio da loteria, é pior do que muita coisa. O cara sabe disso. Quer dizer, tem parada muito melhor pra desenrolar do que isso. Ocupações mais nobres. Como ir ao Andaraí. Pra um rolé, apenas. Mas pode ser também que sejam elas, as horas — voando no luxo de se verem dedicadas a  gestos “nobres” — que levem a essa alucinação lotérica. Em tempos de Copa, fica pior, quando os mortais que não jogam bola pra todo mundo ver ficam discutindo sobre o comportamento daqueles que nasceram pra isso.

Em meio à nobreza, no Andaraí, é questão de tempo: chegará a hora de um drink, uma cerveja. Uma, e pronto. Como um nobre sonhador e outrora humano é bem capaz de imaginar. Que Copa Blade Runner, de novo, essa, hein? Aqueles drones que aparecem na tela de TV/celular/videowall. Pura e bem gelada, a cerveja; quase sendo um contraste, nessa era de aparelhos “inteligentes” e “precisos”. Está bom, assim. Um momento para aproveitar e matar a vontade de ouvir “Love me tender”, imaginando se o pessoal no Texas vai curtir futebol como curte… hm… Eles gostam de que mesmo lá no Texas, hein? É bom saber, pra fazer os clipes-conteúdos certos. Depois do YouTube, tudo parece clipe. Ou a culpa é da MTV, e, nesse caso, estamos falando de um crime bem mais antigo?

À Seleção, o que é da Seleção. Está tudo selecionadinho pra você. Pra todos nós. E como será que tudo vai estar, daqui a pouco, quando o pessoal da Astrologia de novo disparar que mudou algo no céu? Constelações e vídeos criam um binômio complicado. Prendem a atenção até do cervejeiro descompromissado. O que o Elvis — que como todo mundo sabe é um ET — vai desenrolar co’aquele sujeito que sai no meio da música? Parece que vai ter confusão, porrada. No fundo, talvez, a gente queira mesmo o tempo todo arrumar problema. Mesmo — ou ainda mais se — se o boteco tem São Jorge no nome.

Por falar em MTV, outro dia foi aniversário de Jello Biafra e era ele — no papel de cantor dos Dead Kennedys — quem cantava “MTV get off the air”. Quem será o sujeito que está aparecendo para a juventude e colocando em xeque a Inteligência Artificial? Porque deve ter alguém fazendo isso. A internet é a nova TV. As novas revoluções, se é que ainda são possíveis, dependem de quê? Quem está cuidando disso?

Frases rabiscadas nas paredes, sentenças precisando de seus milhões de dedões para cima para, quem sabe, quem sabe, ganharem uma nova vida. Como as confissões do fidalgo que fica feliz ao sair de casa nestes dias de outono carioca, usando gravata sem suar feito um porco e descrente da Democracia. O que é o desgosto em relação a uma instituição bancária, se comparado ao número de curtidas que estão aí pra deus e o mundo e até mesmo os seus ex-amigos verem?

Formigas. E mosquitos. Muitos mosquitos. Tem mosquito pra caramba, no fim de outono no Andaraí. Mas não é exclusividade para o pessoal de lá. Tem disso em todos os lugares. Vamos ver como vai ser, hoje, mais tarde, porque do resultado do jogo contra o Haiti dependem as reações que serão ensaiadas contra os pernilongos e… e o futuro da fatia da humanidade que ainda acredita no esquema de jogo verde e amarelo.

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