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Stop

Faltou firmeza, Zé. Posso te chamar assim? Acho que sim. A gente já se conhece há algum tempo. Desde a época da Senhorita Indigo, lembra? Tá ligado, Zé? Senhorita Indico, lembra, Zé, era aquela moça que a gente quis apelidar no esquema “Cães de aluguel”. E o nome dela começava com “I” e tava todo mundo bêbado e misturou isso com um jogo de Stop em que uma das lacunas pedia “Cores”. O tempo boa, digo, voz, digo, voa, né, Zé? Como será que anda hoje em dia a Senhorita Indigo…? Peraí, acho que era Ms Indigo. E era Ms porque a gente não queria arrumar confusão com a mulherada, além de ser fiel ao esquema tarantinesco. Aliás, a gente nem devia estar falando nestes termos. “Mulherada” pode ser uma expressão perigosa pros dias de hoje.

Tô falando isso contigo, Zé, e lembrando dos playbas que reclamam de terem perdido o direito a certas piadas. Lembrar deles é um negócio que sempre acontece. Mas vamos deixar pra lá os playbas, vamos ficar na firmeza, naquilo que faltou no desenrolo. É, finalmente, rolou o desenrolo. Espero não estar complicando muito as coisas. Boto fé que você vai entender. E mais do que isso. Boto fé que você vai me ajudar co’essa história. Porque acho que eu tô lançando esse caô de que faltou firmeza do outro lado mas isso pode ser só um reflexo da firmeza de que careço do lado de cá. Pois é, tem isso, meu amigo. E pela tua cara tô vendo que você concorda comigo. Essa tua cara é inconfundível, meu irmão. A tua cara é só a tua cara, e de mais ninguém: impossível alguém copiar a tua expressão, Zé. Você é único. Tipo o Ron Weasley, em qualquer “Harry Potter”.

Essas referências do universo pop são um problema, às vezes, né, Zé? A gente quer dar um encaminhamento pros nossos problemas usando essas porcarias que inventam pra gente consumir e nem sempre isso dá certo. Hoje mesmo, tava vendo um cara com uma série de fotos de camisetas de bandas do esquema Oi. “Ah, mas Oi não é pop. Oi é Oi…” Mais ou menos, né, Zé, a gente pode meter esse rótulo aí do pop pra muita coisa. Não me pergunte por que estou usando maiúsculas pra um e minúsculas pra outro. Porque não tenho essa resposta. Perdoe a piada, Zé, é que eu na verdade tenho pouquíssimas respostas. E tô naquela fase em que ando sacando que muita gente anda sem paciência para perguntas ou para séries de perguntas. Pessoas de todas as cores, como talvez dissesse Ms Indigo.

Cores, crenças, vacilos, doenças. O ano do repeteco. “Hein!?” Não, não. Calma. Longe de mim sugerir que você está se repetindo, amigo. Estas voltas todas são na verdade pra te agradecer pela paciência comigo. A gente tava já há um tempão para se encontrar prum almoço. E você, cara, sem caô, nestes últimos dois anos, acho que é a única pessoa, posso te chamar de pessoa, né, Zé?, a única pessoa com quem tive vontade de me sentar para comer um negócio e beber uma cerveja ou um vinhozinho. Ah, por falar em vinho, teve um pessoal do grupo do trabalho que sugeriu um rótulo português que tem ali naquele mercado da praça. Parece que tá custando 30 pratas e é bom. A gente merece gastar um cascalho num vinho, concorda? É um investimento. A gente não sabe o dia de amanhã. Vamos beber, enquanto dá. Zé? Tá me ouvindo?

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