{"id":996,"date":"2023-04-07T16:46:21","date_gmt":"2023-04-07T19:46:21","guid":{"rendered":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=996"},"modified":"2023-04-07T16:46:21","modified_gmt":"2023-04-07T19:46:21","slug":"vinhozinho-vai-hiperlocal01","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=996","title":{"rendered":"Vinhozinho, vai? (#hiperlocal01)"},"content":{"rendered":"\n<p>Quinze minutos de evento: queijos e embutidos sumiam sem cerim\u00f4nia do espa\u00e7oso tampo de vidro em que se enfileiravam, tamb\u00e9m, grandes ta\u00e7as para os vinhos e outras, menores, para quem precisasse de goles de \u00e1gua. O fen\u00f4meno da transforma\u00e7\u00e3o de comida em vapor se dava mesmo antes da chegada das bebidas. Re\u00fana iguarias numa mesa e elas v\u00e3o sumir em pouco tempo, n\u00e3o importa o tipo de gente que esteja em volta. N\u00e3o importa a d\u00e9cada. N\u00e3o importa quem est\u00e1 no Governo. Naquela tarde, nove em cada dez eram homens com camisa de mangas compridas trazendo aquele bonequinho em cima de um cavalo. Ralph Lauren, \u00e9 assim que chamam. Nenhuma era do jacarezinho, tamb\u00e9m conhecida como Lacoste. Oito em cada dez eram vestimentas com bot\u00f5es de cima a baixo. Houve um tiozinho quem investiu no formato pra-dentro-da-cal\u00e7a. O convite avisava que seria uma tarde de apresenta\u00e7\u00e3o de novos r\u00f3tulos \u2014 Oscar Haussmann e Chateau St. Thomas \u2014 mas era na explica\u00e7\u00e3o da representante comercial que estava a promessa de cr\u00f4nica: uma degusta\u00e7\u00e3o de vinhos alem\u00e3es e libaneses.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma tarde de dualidades. Era comum nas coletivas de artistas que estavam lan\u00e7ando alguma coisa, nos anos 90 e 00: uma mistureba que reunia figur\u00f5es dos grandes jornais e o pessoal dos ve\u00edculos alternativos. Todo mundo comia das pastinhas que as assessoras de imprensa usavam para animar aqueles encontros. E a partir da\u00ed, do consumo de comidinhas, a divis\u00e3o come\u00e7ava a ficar mais caricata. De um lado, marrent\u00f5es que apontavam os &#8220;pequenos&#8221; como comil\u00f5es. Do outro, &#8220;pequenos&#8221; que de fato \u00e0s vezes agiam como mortos de fome. Essa dicotomia Alemanha-L\u00edbano podia n\u00e3o ser uma viagem ao passado do jornalista que foi parar l\u00e1 porque fazia, agora, tamb\u00e9m o papel de dono de um bar. Mas soava como divers\u00e3o. Todo fim de m\u00eas, donos de bar precisam procurar divers\u00e3o, para lidar com o movimento mais fraco.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7aram com os alem\u00e3es. E o primeiro mostrou-se doce demais. Estranho, dar a partida desse jeito. As especialistas deviam ter suas raz\u00f5es para apostar no OHO1 \u2014 Riesling Semi Sweet. A explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o veio com qualquer aprofundamento, foi quase um &#8220;\u00e9 doce porque \u00e9 doce&#8221;. Na sequ\u00eancia, o OHO1 \u2014 Dry e depois o OHO1 \u2014 Reserve. Pareciam feitos\/servidos s\u00f3 para amaciar, estes rieslings. A melhor coisa a se fazer era abandonar momentaneamente o pessoal dos distintivos de cavalinho para perguntar ao Google sobre aquela uva. E eis que a gente descobre que se trata da uva branca mais cultivada na Alemanha. A Fran\u00e7a \u00e9 a segunda maior produtora dessa parada.<\/p>\n\n\n\n<p>O aparecimento de um convidado vestindo bermuda cargo foi como um sinal. Vieram tamb\u00e9m um balde para descarte e novas garrafinhas de \u00e1gua. Descarte? \u00c9, se o cara n\u00e3o gosta muito do que est\u00e1 bebendo ou j\u00e1 provou o suficiente daquilo, manda o restante para o baldinho. Queijo e presunto, ningu\u00e9m joga fora. Vinho, sim, as pessoas s\u00e3o capazes de dispensar. N\u00e3o \u00e9 para tudo que o ralph-laurenismo te prepara adequadamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A quarta tacinha daquela tarde era com o primeiro liban\u00eas: o chardonnay St. Thomas 2020. Um branco que provocou estranheza. Mas pareceu abrir tamb\u00e9m a porteira da divers\u00e3o. Talvez os alem\u00e3es tivessem feito bem o papel de amaciar o pessoal. Talvez, talvez. Como que poupando uma ida ao Google, a mo\u00e7a que conduzia o abastecimento das ta\u00e7as informou que h\u00e1 uma grande influ\u00eancia francesa na produ\u00e7\u00e3o libanesa daquele tipo de bebida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Manga&#8221;, apostou uma convidada, falando de algo que ela tinha sentido ali no vinho. E no flow outras tantas palavras surgiram, como numa rodada de Adedanha. &#8220;Mel&#8221;, disse algu\u00e9m, contando com a aprova\u00e7\u00e3o de bebedores do lado noroeste da mesa. O escriba que vos digita arriscou um &#8220;Tem algo defumado, aqui&#8221; e tamb\u00e9m contou com a aprova\u00e7\u00e3o do mesmo grupo. Ali, j\u00e1 dava para perceber que, em termos de vinho, os alem\u00e3es s\u00e3o (ou tinham sido, naquela tarde) mais &#8220;f\u00e1ceis&#8221; do que os libaneses. Isto \u00e9, os sabores das bebidas libanesas ali apresentadas eram indiscutivelmente mais complexas e animadoras do que as alem\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma origem, vieram um Pinot Noir 2017, um Les Gourmets Rouge 2018 e&#8230; Liban\u00eas vai, liban\u00eas vem, chegava a hora da \u00faltima garrafa, aquela que foi apresentada como a grande estrela da tarde: Le Merlot A, de 2009. &#8220;Vinho de 1.500,00 Reais&#8221;, algu\u00e9m disse, provocando olhos mais arregalados. &#8220;18 meses em barrica&#8221;, continuavam, entusiasmados. At\u00e9 o fechamento deste texto, o pre\u00e7o n\u00e3o havia sido confirmado pelos anfitri\u00f5es. Seja como for, o produto mereceu ser servido num decanter de cristal. Na ta\u00e7a, o l\u00edquido parecia mais oleoso do que os vindos anteriormente, criando desenhos. Impressionante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quinze minutos de evento: queijos e embutidos sumiam sem cerim\u00f4nia do espa\u00e7oso tampo de vidro em que se enfileiravam, tamb\u00e9m, grandes ta\u00e7as para os vinhos e outras, menores, para quem precisasse de goles de \u00e1gua. O fen\u00f4meno da transforma\u00e7\u00e3o de comida em vapor se dava mesmo antes da chegada das bebidas. 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