{"id":981,"date":"2023-03-16T10:45:29","date_gmt":"2023-03-16T13:45:29","guid":{"rendered":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=981"},"modified":"2023-03-16T10:45:30","modified_gmt":"2023-03-16T13:45:30","slug":"o-sobrevivente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=981","title":{"rendered":"O sobrevivente"},"content":{"rendered":"\n<p>Nas imortais palavras de Wander Wildner, &#8220;Boa sorte, boa morte&#8221;. \u00c9 assim que o sempre-Replicante, atual punk-brega, \u00edcone-\u00eddolo dos cora\u00e7\u00f5es revoltados de outrora e agora porta-voz de suspirantes-crentes-no-amor terminava &#8220;Boa morte&#8221;, faixa da sensacional fitinha do grupo Sangue Sujo (da \u00e9poca em que WW era mais &#8220;s\u00f3 punk mesmo&#8221;). O cassete morreu, mas, por sorte, podemos usar o YouTube para comprovar a exist\u00eancia da m\u00e1xima. Sorte? Morte? Palavras que, claro, n\u00e3o surgem \u00e0 toa. Confiss\u00f5es chorosas que podem, sei l\u00e1, saltar duma mesa bem ao lado, s\u00e3o capazes de anunciar que o fim est\u00e1 pr\u00f3ximo. E no fim das contas \u2014 como tamb\u00e9m diz a letra \u2014 &#8220;Um dia qualquer no fim das contas voc\u00ea vai morrer&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Rebobinando ainda mais, e ainda mantendo a aten\u00e7\u00e3o ao que vaza da conversa na vizinhan\u00e7a, o escriba revive\/constata o drama de Aloisio Dantas, ou Alol\u00f4, como zoavam os amigos antes de jogarem pra cima dele o terr\u00edvel J\u00e1-Morreu. Ah, nada como uma reuni\u00e3o de amigos de col\u00e9gio (suspiro) para conseguir inspira\u00e7\u00e3o. Como cresce um garoto, depois de ganhar um apelido assim? Naquela \u00e9poca, n\u00e3o chamavam isso de bullying. Era s\u00f3 sacanagem mesmo. Talvez por isso tenhamos nos transformado num pa\u00eds campe\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de psic\u00f3logos. O curso atualmente \u00e9 dos mais procurados, como apontou uma edi\u00e7\u00e3o da ainda \u2014 e surpreendentemente \u2014 viva &#8220;Folha de S. Paulo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Sermos campe\u00f5es no n\u00famero de dentistas n\u00e3o fez de n\u00f3s, ao longo de d\u00e9cadas passadas, uma na\u00e7\u00e3o menos boca-suja. Vamos ver o que o pessoal da Psicologia vai conseguir, nas pr\u00f3ximas eras. Se ser\u00e3o capazes de ajudar a gente a lidar melhor com a inevitabilidade do Fim. Ou, o que j\u00e1 pode ser um grande adianto, a aproveitar as pequenas mortes. Como no franc\u00eas, sabe? Pequena morte, sacou? Sacou?<\/p>\n\n\n\n<p>Vestir o palet\u00f3 de madeira virou assunto banal. H\u00e1 para isso a contribui\u00e7\u00e3o do jornalismo-lixo dos programas televisivos de depois do almo\u00e7o. A gente diz &#8220;jornalismo-lixo&#8221; porque o jornalismo mais rom\u00e2ntico n\u00e3o sobreviveu para ser\/manter-se f\u00e3 de Wander Wildner. Morreu faz tempo, o pobre coitado. A morte parece hoje t\u00e3o l\u00edquida quanto as rela\u00e7\u00f5es. N\u00e3o v\u00e3o achar absurdo, daqui a um tempo, escolher quem vai morrer atrav\u00e9s de um aplicativo. Se as pessoas escolhem seus pares passando dedos em telas de telefone, da\u00ed para usarem o mesmo m\u00e9todo para apontarem quem ir\u00e1 desta para melhor \u00e9 um pulo. Quer dizer, um clique. No s\u00e9culo passado, o Schwarza \u2014 eita cara bom de matar gente na grande tela \u2014 protagonizou um filme em que um tro\u00e7o mais ou menos assim acontecia num show de TV. Qualquer semelhan\u00e7a com os programas de hoje em dia depois do almo\u00e7o n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que a Intelig\u00eantsia sempre vai poder bater no peito bronzeado e eventualmente bem agasalhado para dizer que a Morte faz parte do jogo. Ah, a Intelig\u00eantsia e seu desprendimento. Ah, a Intelig\u00eantsia e suas refer\u00eancias. V\u00e3o dar um jeito de desenterrar &#8220;O s\u00e9timo selo&#8221;. Se bem que v\u00e3o tirar isso do grande caix\u00e3o da Hist\u00f3ria mas, apesar de \u2014 OK \u2014 ser uma grande fita, quem \u00e9 que vai ter paci\u00eancia de assistir ao que fez o Bergman, hoje em dia, para depois discutir a respeito? Isso morreu! Nem os psicanalistas fazem mais isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m vai ficar pra semente, como garante a tiazinha do bar, enquanto faz pular as chapinhas dos litr\u00f5es que os eternos estudantes pediram para a nova rodada de ressurrei\u00e7\u00f5es. Depois de amanh\u00e3, ela diz, com cara s\u00e9ria, &#8220;\u00e9 anivers\u00e1rio de morte da minha irm\u00e3&#8221;. Um momento de sil\u00eancio. E algu\u00e9m levanta um brinde em homenagem a dona Marli. Beber para jogar Luz no caminho de algu\u00e9m. Ta\u00ed. Uma hora algu\u00e9m ia achar uma coisa boa pra fazer com essa hist\u00f3ria toda de Morte. Sa\u00fade!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas imortais palavras de Wander Wildner, &#8220;Boa sorte, boa morte&#8221;. \u00c9 assim que o sempre-Replicante, atual punk-brega, \u00edcone-\u00eddolo dos cora\u00e7\u00f5es revoltados de outrora e agora porta-voz de suspirantes-crentes-no-amor terminava &#8220;Boa morte&#8221;, faixa da sensacional fitinha do grupo Sangue Sujo (da \u00e9poca em que WW era mais &#8220;s\u00f3 punk mesmo&#8221;). 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