{"id":858,"date":"2022-09-16T16:01:55","date_gmt":"2022-09-16T19:01:55","guid":{"rendered":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=858"},"modified":"2022-09-16T16:01:56","modified_gmt":"2022-09-16T19:01:56","slug":"boteco-connection-7-tx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=858","title":{"rendered":"Boteco Connection #7 \u2014 TX"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8220;TX&#8221; foi como uma galera se acostumou a fazer refer\u00eancia ao &#8220;t\u00e1xi&#8221;. Ah, a era das abrevia\u00e7\u00f5es&#8230; &#8220;Valeu&#8221; virou &#8220;vlw&#8221;; &#8220;obrigado&#8221; passou a ser &#8220;obg&#8221;. E por a\u00ed vai. Mas uma cita\u00e7\u00e3o que se espreme em duas letras pode ser considerada carinhosa\/relevante? Sim, sim. Duas letras s\u00e3o capazes de exprimir apre\u00e7o, medo, ofensa. &#8220;Cu&#8221; \u00e9 um bom exemplo disso, para falar de um componente muito presente em nossos cotidianos. E voltando aos encurtamentos: quem nunca teve que encarar um &#8220;vtnc&#8221; num debate sobre pol\u00edtica no Zap? N\u00e3o soa mais ameno do que quando todas as letras s\u00e3o usadas? Mas fiquemos no universo dos taxistas, estes quase-pescadores\/historiadores, \u00e0s vezes safados [como qualquer dono(a) de cu pode ser], \u00e0s vezes prestativos, gente conhecedora das leis, de Economia. Um pessoal que parece saber a Verdade. Isso tudo pra afirmar: ponto de t\u00e1xi perto de um boteco pode ser garantia de anima\u00e7\u00e3o fora da curva.<\/p>\n\n\n\n<p>Fora da curva, n\u00e3o fora do tax\u00edmetro. Porque ningu\u00e9m acorda cedo para levar desvantagem nas vias do Rio de Janeiro. Em grupo, eles se sentem seguros. Normal. Mas mais do que isso: parecem tamb\u00e9m capazes de oferecer seguran\u00e7a\/prote\u00e7\u00e3o. N\u00e3o numa perspectiva miliciana. Na camaradagem, em nome de uma certa &#8220;fam\u00edlia&#8221;. Em portugu\u00eas mesmo: fam\u00edlia. Taxista, gra\u00e7as aos c\u00e9us, \u00e9 um cara que parece ter conseguido fugir dos anglicismos. N\u00e3o existe meeting de taxistas. Existe churrasco mesmo. E mesmo se a carne estiver bonita, eles v\u00e3o deixar pra l\u00e1 a fome e v\u00e3o conduzir o b\u00eabado classe-mediano que saiu do boteco at\u00e9 o endere\u00e7o informado. Porque agora tem a concorr\u00eancia do Uber, n\u00e9, ent\u00e3o, minha gente, \u00e9 tempo de ser mais prestativo do que nunca.<\/p>\n\n\n\n<p>Os apelidos comp\u00f5em um ingrediente espetacular. Fil\u00e9. Fof\u00e3o. Conde. Tim Maia. China. Kiko. Chaves. Medonho. Lobinho. Quando est\u00e3o juntos, num dia fraco de corridas, ou numa noite com poucos b\u00eabados solit\u00e1rios precisando chegar em casa logo para vomitar e mergulhar no sof\u00e1, o clima na cal\u00e7ada \u00e9 de Segundo Grau. Segundo Grau no sentido de per\u00edodo escolar, o que hoje \u00e9 conhecido como Ensino M\u00e9dio. Ver um bando de &#8220;adultos&#8221;(#sqn) se zoando, a ponto de dois se juntarem para fazer uma cama-de-gato que vai derrubar um terceiro&#8230; N\u00e3o tem pre\u00e7o. Esta categoria, a de taxista, parece \u00e0s vezes ser um indicativo do que \u00e9 a sociedade. H\u00e1 as pessoas mais &#8220;s\u00e9rias&#8221;,&nbsp; h\u00e1 os com os carros mais bonitos, h\u00e1 os que confrontam uma torcida inteira e ap\u00f3s uma garrafada no quengo choram como beb\u00eas, h\u00e1 os que mentem descaradamente, e ainda h\u00e1 os que n\u00e3o querem te levar a Santa Teresa usando como justificativa aquele ca\u00f4 de que &#8220;os trilhos do bonde podem rasgar os pneus do carro&#8221;. E \u2014 viva! \u2014 tem os que servem de &#8220;inspira\u00e7\u00e3o&#8221;, quando um escriba quer manter a regularidade e parece n\u00e3o ter sobre o que falar.<\/p>\n\n\n\n<p>Taxistas parecem ser uma viagem ao passado. A um mundo pr\u00e9-internet. Voc\u00ea n\u00e3o pode entrar no carro do Fof\u00e3o \u2014 ainda mais se for o Fof\u00e3o \u2014 e mandar uma mensagem com letras mai\u00fasculas exigindo que ele desligue o r\u00e1dio. Tem que investir na cordialidade e pedir com jeito. Esse pessoal em carros amarelos com listas azuis, aqui no Rio \u00e9 assim, esse pessoal passa pelo mundo e v\u00ea o mundo passar. \u00c0s vezes, em alta velocidade. Nem sempre respeitam sinais. Nem sempre fazem os melhores caminhos. Quase nunca t\u00eam troco. \u00c0s vees, n\u00e3o s\u00e3o assim t\u00e3o simp\u00e1ticos. Nem sempre torcem para o time certo. Nem sempre votam no melhor candidato. Mas a vida \u00e9 assim. \u00c9 bom, quando est\u00e3o ali; depois que a gente sai do boteco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;TX&#8221; foi como uma galera se acostumou a fazer refer\u00eancia ao &#8220;t\u00e1xi&#8221;. 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