{"id":633,"date":"2021-08-27T12:29:01","date_gmt":"2021-08-27T15:29:01","guid":{"rendered":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=633"},"modified":"2021-08-27T12:29:03","modified_gmt":"2021-08-27T15:29:03","slug":"um-dois-feijao-com-arroz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=633","title":{"rendered":"Um, dois: feij\u00e3o com arroz"},"content":{"rendered":"\n<p>Parou ali, no Caf\u00e9 Ga\u00facho, na volta de Niter\u00f3i, aquela cidade escura, e quando percebeu j\u00e1 estava bebendo um. Conseguiu resistir aos sandu\u00edches, aos rissoles, \u00e0s empadas. A ilha do cafezinho, que mesmo em tempo de pandemia fica bem movimentada, durante o dia, j\u00e1 estava fechada. Era quase noite. Ou j\u00e1 era noite. Tanto faz, como tanto fez. Se desse alguma merda no est\u00f4mago, como vinha acontecendo, a culpa seria s\u00f3 do gor\u00f3. Nada de rissoles. Sempre \u00e9 mais f\u00e1cil, assim, quando a gente tem certeza do que ou quem deve condenar.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o n\u00e3o era complicada. Era aquela escrotice de quase sempre. Dinheiro, trabalho, compromissos, responsas. Outra condena\u00e7\u00e3o certa. Para compensar, havia a mensagem do L\u00facio, que merece ser chamado de Mister Prata. Oferecendo ajuda, falando dos perrengues que ele mesmo andava encarando, das cervejas que eram cada vez mais raras. A mensagem do Mister Prata tinha sido a companhia ideal para a travessia de barca. Um percurso que, \u00e0 noite, de Niter\u00f3i, aquela cidade escura, para o Rio, aquela cidade que \u00e9 o que mesmo, hein?, bem, de Niter\u00f3i pro Rio, a mensagem do cara tinha sido a companhia ideal porque vinha recheada de ideias para um zine. Pra um livro. Pra uma conversa.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi uma quase-conversa. E serviu para um entendimento importante: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no t\u00e1xi que \u00e9 dif\u00edcil digitar ou jogar xadrez, no celular. Na barca, quando a gente faz o percurso entre a cidade escura e a cidade sobre a qual n\u00e3o se deve falar nada, porque \u00e9 a cidade da gente, deu pra perceber que mesmo com pouca trepida\u00e7\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil se entender coa&#8217;quele tecladinho. Assim como \u00e9 muito f\u00e1cil errar a jogada no xadrez e fazer besteira numa partida que parecia poss\u00edvel vencer.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o deu pra resistir por muito tempo. Uma empadinha faria, no m\u00e1ximo, o papel de disputar com a bebida o posto de vil\u00e3. E a gente n\u00e3o espera isso de uma empada. Quem quer ser vil\u00e3 ou vil\u00e3o? As empadinhas est\u00e3o sintonizadas com o que rola nas redes sociais, querem s\u00f3 parecer boazinhas pra todo mundo. Conseguem. Para um est\u00f4mago que j\u00e1 estava mesmo embrulhado, tudo bem, n\u00e9? Uma segunda tulipa. Uma terceira, junto com o pensamento de que uma bala de hortel\u00e3 seria necess\u00e1ria para evitar problemas. Problema \u00e9 aquilo que vem depois de um bafo inesperado\/inadequado de cerveja. Quer dizer, quando \u00e9 s\u00f3 um bafo, tudo bem. O problema \u00e9 isso na cara de outrem.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo que diz o v\u00eddeo de agora, no YouTube, as pessoas na Gr\u00e9cia tamb\u00e9m t\u00eam problemas com bafo de cerveja. Como ser\u00e3o as balas de hortel\u00e3 de l\u00e1? Ou o que ser\u00e1 que usam para evitar problemas, naquela parte do planeta? Medo de andar errado, uma preocupa\u00e7\u00e3o extrema, quase paralisia. N\u00e3o d\u00e1 pra caminhar e vr v\u00eddeo. Porra, mas tr\u00eas chopes, s\u00f3, e isso ficou assim desse jeito? Foram mesmo s\u00f3 tr\u00eas chopes? A pergunta se repetia mais do que os an\u00fancios no YT, antes de cada m\u00fasica. Na esquina escura-mas-clara, porque era uma esquina do Rio, ou clara-mas-escura, porque era da cidade que de uma maneira ou de outra sempre acolhe. Mesmo que seja uma acolhida para na sequ\u00eancia conduzir a um quarto em que os spankings de revistas alem\u00e3s antigas parecer\u00e3o fichinha diante do placar marcado no lombo do cordeiro. Sete a um. Dez a zero. Um a zero que seja, porque o que vale \u00e9 ganhar.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem sempre algu\u00e9m dando palpite na orelha da gente. Quase nunca \u00e9 uma pessoa equilibrada. A gente suporta porque palpite, geralmente, vem baixinho, disfar\u00e7ado de conselho. Sempre \u00e9 necess\u00e1rio ter cuidado com os conselhos que pipocam por a\u00ed. Algu\u00e9m que n\u00e3o tem coragem de agir deveria concentrar-se na pr\u00f3pria covardia, apenas, em vez de encher o saco do resto da humanidade. Quatro chopes. Cinco chopes. Foram seis. Seis chopes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parou ali, no Caf\u00e9 Ga\u00facho, na volta de Niter\u00f3i, aquela cidade escura, e quando percebeu j\u00e1 estava bebendo um. Conseguiu resistir aos sandu\u00edches, aos rissoles, \u00e0s empadas. A ilha do cafezinho, que mesmo em tempo de pandemia fica bem movimentada, durante o dia, j\u00e1 estava fechada. Era quase noite. Ou j\u00e1 era noite. 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