{"id":57,"date":"2020-05-13T20:02:14","date_gmt":"2020-05-13T23:02:14","guid":{"rendered":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=57"},"modified":"2020-05-13T20:02:14","modified_gmt":"2020-05-13T23:02:14","slug":"a-mascara-nossa-de-cada-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=57","title":{"rendered":"A m\u00e1scara nossa de cada dia"},"content":{"rendered":"\n<p>Havia antes\no desejo de que ca\u00edssem as m\u00e1scaras. Agora, h\u00e1 a necessidade de que elas sejam\nusadas. E isso est\u00e1 sendo bom, porque al\u00e9m de proteger ela pode revelar. Claro.\nNovos tempos. As m\u00e1scaras dizem muito sobre o sujeito. O cara ali nas\nLaranjeiras com aquele len\u00e7o (tomara que tenha um filtro de caf\u00e9 por dentro da\ndobra) com a estampa da caveira-s\u00edmbolo dos Misfits, por exemplo&#8230; E o outro,\ncom uma amarelinha toda arrematada com detalhes azuis, no que parece ser uma\nalus\u00e3o clara \u00e0 camisa da sele\u00e7\u00e3o? Sim, tem m\u00e1scara pra roqueiro, coxinha,\nhipster, esquerdopata; pra todos os gostos. Tem m\u00e1scara pra proteger, pra se\nliberar, pra todos os prop\u00f3sitos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 de\nhoje que a m\u00e1scara tem espa\u00e7o nas nossas fantasias. Quatro, cinco d\u00e9cadas\natr\u00e1s, no sub\u00farbio carioca, m\u00e3es mais preocupadas avisavam que n\u00e3o era bom ir\nna dire\u00e7\u00e3o duma muvuca encapuzada. Se voc\u00ea visse algu\u00e9m de Cl\u00f3vis (ou\nBate-Bola), ent\u00e3o, nem precisava ser uma aglomera\u00e7\u00e3o; era bom passar longe. No\ncarnaval, diziam, as m\u00e1scaras protegiam e emprestavam salvo-conduto a\ncriminosos, ou no m\u00ednimo baderneiros: gente que queria aproveitar o per\u00edodo de\nfolia para fazer o mal, para p\u00f4r em pr\u00e1tica algum plano de vingan\u00e7a.&nbsp; Antes da internet, quem sempre tinha\nraz\u00e3o era a m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos cultos\nafro-brasileiros, que no m\u00ednimo pela batucada trazem alguma rela\u00e7\u00e3o com o\nReinado de Momo, a m\u00e1scara tamb\u00e9m merece um &#8220;cap\u00edtulo&#8221; especial.\nDiz&nbsp; que, se o macumbeiro est\u00e1 de\nm\u00e1scara, ser\u00e1 abandonado por seus protetores. Isso, os Exus \u2014 N.R.: Laroy\u00ea! \u2014 n\u00e3o garantem a seguran\u00e7a de quem\nesconde o rosto. Parece que h\u00e1 uma maneira de driblar isso, mas para quem quer\na companhia destas for\u00e7as protetoras a &#8220;regra&#8221; b\u00e1sica \u00e9 n\u00e3o cobrir a\ncara.<\/p>\n\n\n\n<p>Noutros\ncasos, o apetrecho parece dar mais poder ao usu\u00e1rio. Ou \u00e0 usu\u00e1ria. Veja a\nMulher-Gato. Que chicote, o daquela mo\u00e7a, hein!? Ent\u00e3o, de m\u00e1scara (e, claro,\nde macac\u00e3ozinho de couro ou vinil bem colado ao corpo, botas e tal), ela pode\nte pedir o que for que voc\u00ea, merm\u00e3o, vai fazer. Ai de voc\u00ea se n\u00e3o fizer&#8230;\nSlapt! <\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e1scara\nvirou \u00edcone de um momento que, muita gente aposta, ser\u00e1 de\n&#8220;transforma\u00e7\u00e3o&#8221; na humanidade. Tempos atr\u00e1s, pod\u00edamos achar ex\u00f3tico\nquando um japon\u00eas usava isso, por causa do p\u00f3len que, em alguns deles,\nprovocava alergia. Era assim que conseguiam percorrer\ncom tranquilidade vizinhan\u00e7as repletas de \u00e1rvores floridas.&nbsp; Parecia coisa de pa\u00eds rico, como quase\ntudo que aparecia em revistas de moda. <\/p>\n\n\n\n<p>Por falar\nem moda: algum tempo atr\u00e1s, voc\u00ea parava e folheava numa banca de Ipanema uma\nrevista inglesa sobre estilo pra ver o que copiar e, ali, podia encontrar o\nregistro de gente &#8220;comum&#8221; usando m\u00e1scara como se fosse acess\u00f3rio.\nCoisa de ingl\u00eas. Hoje, quando estamos todos \u00e0s voltas com a pandemia, ir ao\nmercado, OK, mas s\u00f3 se for com a devida prote\u00e7\u00e3o.&nbsp; Pra desgosto dos &#8220;descolados&#8221;, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mais uma\nquest\u00e3o de sintonia com a tira\u00e7\u00e3o de onda dos primos ricos.\n\nTem tamb\u00e9m a hist\u00f3ria de as m\u00e1scaras darem aos homens uma chance de\naproxima\u00e7\u00e3o com o universo feminino. Por causa do que elas, ou pelo menos muitas\ndelas, sempre protagonizaram com suas calcinhas: aquele ritual de lavar a pe\u00e7a\ndurante o banho, pra deixar depois pendurada como um estandarte em algum lugar\ndo banheiro. Homens, ou pelo menos muitos deles, n\u00e3o tinham essa mania com a\ncueca. Era colocar na m\u00e1quina de lavar e pronto. Agora, com as m\u00e1scaras, a\ngente chega da rua e, pra ser civilizado\/essencialmente-n\u00e3o-minion, pega aquela\ncoisinha delicada, passa um sab\u00e3ozinho, com cuidado, pro tro\u00e7o n\u00e3o desmontar\ntodo nem ficar desmilinguido, e lava com calma. Muita calma, porque \u00e9 uma pe\u00e7a\nimportante&#8230;\n\n\n\n<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havia antes o desejo de que ca\u00edssem as m\u00e1scaras. Agora, h\u00e1 a necessidade de que elas sejam usadas. E isso est\u00e1 sendo bom, porque al\u00e9m de proteger ela pode revelar. Claro. Novos tempos. As m\u00e1scaras dizem muito sobre o sujeito. 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