{"id":258,"date":"2020-08-06T13:26:49","date_gmt":"2020-08-06T16:26:49","guid":{"rendered":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=258"},"modified":"2020-08-06T13:29:48","modified_gmt":"2020-08-06T16:29:48","slug":"padaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=258","title":{"rendered":"Padaria"},"content":{"rendered":"\n<p>Saudade parece que nunca anda sozinha. A falta que a gente sente de escrever ou de desenhar se emenda f\u00e1cil, f\u00e1cil, na falta que faz (convi)ver (co&#8217;)uma determinada pessoa. Numa \u00e9poca em que rabiscar pensando em algu\u00e9m tornou-se um exerc\u00edcio muito mais comum e poss\u00edvel do que rabiscar olhando de perto para algu\u00e9m, \u00e9 bom achar uma maneira de lidar com elas, as saudades. Sobram os textos, \u00e0s vezes, e sorte de quem consegue achar que isso \u00e9 muito\/suficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Fica um pouco chato quando, quase clicando no link da sabotagem, o cara se pega fugindo da escrita, guiado por algum circuito da cachola em que aquilo se transformou numa obriga\u00e7\u00e3o. Saudade, quando vem, est\u00e1 longe de ser uma obriga\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso sim uma orca te perseguindo na praia, voc\u00ea sabendo que n\u00e3o est\u00e1 suficientemente perto da areia para conseguir fugir. \u00c9 bom respeitar\/aceitar o texto, quando ele surge, porque se aquilo escapa voc\u00ea provavelmente nunca mais conseguir\u00e1 rever\/repensar naqueles mesmos &#8220;moldes&#8221;. Textos mais do que nunca moldam saudades.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a poesia \u00e9 a mesma coisa. Ou pior. Porque com os versos a gente pode ficar mais escabreado, juntando \u00e0 possibilidade de registro o medo do rid\u00edculo. Se para provocar a gente diz que &#8220;fazer poesia \u00e9 f\u00e1cil, dif\u00edcil \u00e9 confessar que fez&#8230;&#8221;, imagina pensar poesia, e n\u00e3o escrever nada&#8230; No mundo ideal, seria ainda mais &#8220;confort\u00e1vel&#8221;. Mas o desespero de perder um versinho, um versinho que seja, pode ser tamb\u00e9m uma semente de ferida com a qual ningu\u00e9m a\u00ed est\u00e1 preparado para lidar. Se disser que est\u00e1, pode ser uma declara\u00e7\u00e3o que n\u00e3o passa de caga\u00e7o. Trocando em mi\u00fados, \u00e9 isso: caga\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Teve esta semana a hist\u00f3ria de um cara que, para lidar com a falta de tempo e a saudade, ocupava ainda mais as brechas que se lhe apresentavam. Isso. N\u00e3o tinha tempo e tratava de ter ainda menos. Desandou a fazer p\u00e3es. Cismou com isso e dizia aos manos que aquela &#8220;brincadeira&#8221; era uma esp\u00e9cie de medita\u00e7\u00e3o. Mais um louco-de-pandemia. Quando comia o resultado do trampo, da queima de um tempo que nem existia direito, ou quando distribu\u00eda aquilo entre amigues, relaxava. E percebia um al\u00edvio. Mas durava s\u00f3 um piscar de olhos, porque a onda era preencher todas, todas as brechas. Pra muita gente, n\u00e3o tem dado tempo de sentir nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Lidar com o tempo nunca foi f\u00e1cil. Com a saudade, menos ainda. Nestes dias, a tarefa parece ter assumido ares ainda mais impossibilitadores. Porque a gente pode se pegar sem conseguir decidir se ele, o tempo, est\u00e1 passando r\u00e1pido demais ou demasiado lento. No mesmo dia, voc\u00ea pode ouvir algu\u00e9m dizendo que &#8220;j\u00e1 \u00e9 Agosto&#8221; e uma esquina depois que &#8220;nem parece que j\u00e1 se passaram quatro meses de trancamento em casa&#8221;. O mundo precisa se decidir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saudade parece que nunca anda sozinha. 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