{"id":195,"date":"2020-07-06T20:08:49","date_gmt":"2020-07-06T23:08:49","guid":{"rendered":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=195"},"modified":"2020-07-06T20:11:15","modified_gmt":"2020-07-06T23:11:15","slug":"senhor-perigo-dona-paranoia-e-companhia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=195","title":{"rendered":"Senhor Perigo, Dona Paranoia e companhia"},"content":{"rendered":"\n<p>Esta onda de reabertura oficial-e-escandalosa dos botecos, como se durante as \u00faltimas semanas muitos n\u00e3o tivessem desrespeitado completamente o &#8220;isolamento&#8221;, serviu para matarmos saudades que sentimos de certos personagens. O primeiro deles, antes que voc\u00ea reclame da irresponsabilidade desta cr\u00f4nica, \u00e9 o Perigo. Vamos cham\u00e1-lo de Senhor Perigo, em sinal de respeito. Ele sempre esteve a\u00ed, ainda mais nestes \u00faltimos meses, mas quando de repente disseram &#8220;Pode abrir o bagulho todo, mas fechem o bagulho todo \u00e0s 23h que t\u00e1 tudo mais ou menos bem&#8221;, foi como se o Senhor Perigo estivesse distante e s\u00f3 esperando&#8230; E assim ele recebeu um convite para que voltasse a conviver oficialmente conosco. E fazer das suas. Deu um sorrisinho e aceitou, claro. Como se n\u00e3o tivesse sido recentemente uma das companhias mais constantes, ao lado de Dona Paranoia, Seu V\u00e1 Pro Inferno e Prima Ang\u00fastia.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro, gente menos famosa apareceu para a festa. Era festa, afinal. Gente sem nome. B\u00eabado, n\u00e3o precisa de nome. De sobrenome, talvez. O B\u00eabado Sens\u00edvel, por exemplo, que fica magoado quando tem que engolir junto com o 12-anos-cowboy uma amiga ladrando, a uma certa dist\u00e2ncia, talvez, que ele n\u00e3o passa de um &#8220;cachorro velho&#8221;. Isso provoca um estrago no cora\u00e7\u00e3o de qualquer bicho que tenha o corpo de fato coberto por pelos brancos. A reabertura trouxe volta tristezinhas particulares assim nestes moldes. Mas a\u00ed s\u00e3o fatos isolados. S\u00f3 mesmo para temperar a cr\u00f4nica. O que nos interessa s\u00e3o personagens famosos. \u00c9 disso que vivem escriba e leitor. O Poder P\u00fablico, nem se fala&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A reabertura dos bares trouxe de volta tamb\u00e9m Uma Certa Verdade. Ela estava solta, soltinha por a\u00ed. Houve quem tentasse apropriar-se dela para esfreg\u00e1-la na cara de outrem. Mas Uma Certa Verdade manteve(-se) (n)a linha, arrumou a m\u00e1scara e continuou desfilando sem dar bola para manipuladores de plant\u00e3o. Ainda n\u00e3o houve quem conseguisse alcan\u00e7\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>E, claro&#8230; Em nome da civilidade (solte agora aquela gargalhada debochada), ainda n\u00e3o \u00e9 hora de esfregar nada na cara de ningu\u00e9m. Isso seria um atentado contra as Regras de Ouro. Regras do Outro, n\u00e3o; Regras de Ouro mesmo, que foi como a Prefeitura da Cidade Pentecostosa do Ria A\u00ed de Janeiro a Janeiro (pra n\u00e3o chorar) chamou o conjunto de normas a serem seguidas pelos estabelecimentos para que pudessem reabrir sem colocar em risco a popula\u00e7\u00e3o. Se Uma Certa Verdade estivesse em dias mais gloriosos, se pudesse atuar com cem por cento de sua capacidade de esfrega\u00e7\u00e3o, faria o Poder P\u00fablico entender que o grande risco na verdade \u00e9 ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem tamb\u00e9m resolveu dar as caras foi o Beijo Na Boca. Afinal, do que adianta ir para o Lebronx, encher os cornos e voltar para casa no zero-a-zero? Vomitar, apenas, n\u00e3o tem gra\u00e7a. Antes disso, \u00e9 preciso ensaiar ao menos uma bitoquinha naquela mina, naquele mano que acredita na liberdade. Por mais que, para alegrar a noite da tradicional fam\u00edlia cariokkk, as manchetes televisivas tenham se concentrado no distanciamento respons\u00e1vel que n\u00e3o existiu&#8230; o Beijo Na Boca merecia destaque porque foi outro personagem muito visto por a\u00ed. Sem m\u00e1scara, claro, porque nesse caso n\u00e3o tem como ser de outro jeito. Beijo e prote\u00e7\u00e3o, assim como chup\u00e3o e comedimento, nunca foram duplas vistas de m\u00e3os dadas por a\u00ed. Imagine agora.<\/p>\n\n\n\n<p>No bafaf\u00e1, apontaram os holofotes para aquele caso do cliente que entrou sem m\u00e1scara no restaurante e, abordado pelo gerente, disparou (palavra mais adequada, imposs\u00edvel): &#8220;Meu presidente liberou&#8230;&#8221; Houve bate-boca, entre as partes. No caso do Beijo Na Boca, n\u00e3o precisava discuss\u00e3o pol\u00edtica alguma, porque ambos os l\u00e1bios quando partem para a a\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o de acordo em tudo. Nestes dias de Novo Normal, havia no ar um cheirinho de Velho Normal, como era de se esperar, mas a\u00ed \u00e9 outro papo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta onda de reabertura oficial-e-escandalosa dos botecos, como se durante as \u00faltimas semanas muitos n\u00e3o tivessem desrespeitado completamente o &#8220;isolamento&#8221;, serviu para matarmos saudades que sentimos de certos personagens. O primeiro deles, antes que voc\u00ea reclame da irresponsabilidade desta cr\u00f4nica, \u00e9 o Perigo. Vamos cham\u00e1-lo de Senhor Perigo, em sinal de respeito. 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