{"id":162,"date":"2020-06-22T13:28:41","date_gmt":"2020-06-22T16:28:41","guid":{"rendered":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=162"},"modified":"2020-06-22T13:32:28","modified_gmt":"2020-06-22T16:32:28","slug":"e-camara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=162","title":{"rendered":"\u00c9, camar\u00e1&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8220;Nem tudo que reluz \u00e9 ouro&#8230; Nem tudo que balan\u00e7a cai&#8230;&#8221;, diz um corrido de Capoeira. Isso parece retratar bem nosso momento pol\u00edtico, nos fazendo pensar que estamos em meio a um grande, grande jogo, n\u00e9? Todo mundo achava que estava acontecendo uma coisa, mas, na verdade, \u00e9 bem outra que se revela co&#8217;o andar da carruagem: \u00e9 o que est\u00e1 impl\u00edcito nas estrofes que abrem este texto. &#8220;Corridos&#8221; s\u00e3o os versos cantados por quem est\u00e1, digamos, no comando da roda. E estes versos s\u00e3o respondidos pelos que integram o grupo e, n\u00e3o raramente, por quem est\u00e1 assistindo ao espet\u00e1culo. As respostas formam um coro. Talvez o corrido mais conhecido seja o &#8220;Parana\u00ea&#8230;&#8221; Todo mundo sabe a resposta e isso ajuda muito a animar o jogo. O coro fica bonito.<\/p>\n\n\n\n<p>Dependendo da escola, h\u00e1 \u00e0s vezes gente batendo palmas; para com isso contribuir com o ritmo. Na Capoeira, a m\u00fasica pode funcionar como uma esp\u00e9cie de cr\u00f4nica: fala sobre o que est\u00e1 acontecendo, ali, no momento. Noutras ocasi\u00f5es, \u00e9 a m\u00fasica quem imprime\/dita uma cad\u00eancia, faz certos movimentos se desenvolverem ou, no m\u00ednimo, inspira isso. Uma can\u00e7\u00e3o superpode tornar mais r\u00e1pidos e consequentemente mais agressivos os movimentos dos jogadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim&#8230; Se um participante leva uma rasteira, o puxador pode mudar rapidamente o canto e soltar um &#8220;Meu fac\u00e3o cortou em baixo, eu falei&#8230;&#8221; E todo mundo vai\/deve responder: &#8220;A bananeira caiu!&#8221; Est\u00e1 a\u00ed um bom exemplo de &#8220;cr\u00f4nica&#8221;. Ou, por outro lado, se o mestre respons\u00e1vel num determinado instante avalia que o clima est\u00e1 morno demais, tem o &#8220;direito&#8221; de provocar, cantando algo como &#8220;Olha, rala o coco&#8230;&#8221; E a resposta para isso ser\u00e1: &#8220;Catarina!&#8221; Com a repeti\u00e7\u00e3o de &#8220;Catarina!&#8230;&#8221;, de forma constante e mais acelerada do que vinha acontecendo at\u00e9 ent\u00e3o no coro, \u00e9 certo que os movimentos ficar\u00e3o mais acalorados. No m\u00ednimo, mais animados\/quentes.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 outros tipos de m\u00fasica, nos rituais capoeir\u00edsticos. A Ladainha, que abre os trabalhos, \u00e9 uma das mais importantes. Al\u00e9m de contar uma hist\u00f3ria, de muitas vezes fazer alus\u00f5es, por exemplo, ao passado da vida dos negros escravos, a Ladainha pode conter provoca\u00e7\u00f5es. Agachado, de frente para o oponente, um jogador pode puxar uma m\u00fasica que soe como afronta. E isso pode ser o pren\u00fancio de uma movimenta\u00e7\u00e3o particularmente ardilosa, com o intuito de desconcentrar\/desnortear o &#8220;oponente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Co&#8217;essa hist\u00f3ria do confinamento, n\u00e3o se v\u00ea roda de Capoeira pela cidade. As pessoas j\u00e1 est\u00e3o andando pela orla, enchendo bares, deixando m\u00e1scaras de lado, mas roda de Capoeira \u2014 gra\u00e7as a Deus \u2014 ainda n\u00e3o anda rolando, o que talvez comprove que capoeirista \u00e9 mesmo malandro(a). Malandro(a), no bom sentindo, sim. A &#8220;malandragem&#8221;, ali\u00e1s, \u00e9 um dos temas musicais mais recorrentes, nestas reuni\u00f5es de praticantes da grande arte\/luta que tem como refer\u00eancias mais famosas os mestres baianos Pastinha e Bimba.<\/p>\n\n\n\n<p>Um corrido que nos faz pensar na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que a gente vive pode ser um convite para que mergulhemos noutros ensinamentos da Capoeira. Ficar bem atento ao que est\u00e1 acontecendo, no jogo, por exemplo. Isso \u00e9 uma regra b\u00e1sica, que serve para a vida como um todo. Vai que na hora daquele bocejo despreocupado vem um p\u00e9 na orelha&#8230; Na orelha de quem estava s\u00f3 assistindo ao jogo. Cabe a n\u00f3s identificar o sujeito que, pela postura, ou por uma orquestra\u00e7\u00e3o enganosa, sugere que \u00e9 capaz de fazer e acontecer, mas&#8230; Mas em cinco segundos mostra que ginga feito um siri com c\u00e2imbra. Aten\u00e7\u00e3o, camar\u00e1! Aten\u00e7\u00e3o para o jogo em que te puseram. Aten\u00e7\u00e3o pra n\u00e3o responder errado na hora do coro, hein!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Nem tudo que reluz \u00e9 ouro&#8230; Nem tudo que balan\u00e7a cai&#8230;&#8221;, diz um corrido de Capoeira. Isso parece retratar bem nosso momento pol\u00edtico, nos fazendo pensar que estamos em meio a um grande, grande jogo, n\u00e9? 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