{"id":1150,"date":"2026-02-05T12:10:18","date_gmt":"2026-02-05T15:10:18","guid":{"rendered":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=1150"},"modified":"2026-02-05T12:10:21","modified_gmt":"2026-02-05T15:10:21","slug":"chocolate-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=1150","title":{"rendered":"Chocolate"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"640\" src=\"https:\/\/sambapunk.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/tiago-velasco-nat-mort-rotated.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1149\" srcset=\"https:\/\/sambapunk.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/tiago-velasco-nat-mort-rotated.jpg 480w, https:\/\/sambapunk.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/tiago-velasco-nat-mort-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Pode ser preciso ter sangue beeem frio, e muito amor, pra desenrolar sobre futebol com o Tiago Velasco. Isso, no caso de o interlocutor torcer para um time diferente daquele defendido pelo autor de &#8220;Naturezas-mortas&#8221; (Editora Cachalote). Mas foram tantos os dribles, gols e assist\u00eancias vistos aqui nos 40 lances do livro que um clima de pelada deve apoiar a constru\u00e7\u00e3o de uma bastante merecida cr\u00f4nica\/resenha elogiosa. \u00c9 em alguns sentidos um risco, claro, mas quem n\u00e3o chuta n\u00e3o marca. O paralelo ainda joga luz sobre uma, digamos, charmosa sisudez que de vez em quando surge na obra e ajuda a segurar o leitor-torcedor \u2014 al\u00e9m de conduzi-lo com seguran\u00e7a para aquele bom mastigamento psicanal\u00edtico de capim com que a gente tenta levar a vida. Tem jogada que serve para deixar o malandro pensativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dribles. A gente quer ver gol, mas drible&#8230; drible tamb\u00e9m \u00e9 muito bom, cara. Velasco faz isso, por exemplo, deixando o p\u00fablico na d\u00favida sobre o que ele estava espiando quando elaborou cada um daqueles textinhos. Quais foram os problemas que n\u00e3o tinha conseguido deixar fora do campo, quando juntou papagaio, uma senhora e Julio Iglesias? Por que demorou a bicar a bola, quando quase preencheu uma p\u00e1gina (coisa que s\u00f3 acontece duas vezes)? E quando parece que entendemos alguma coisa e n\u00e3o vamos cair nem tampouco seremos deixados para tr\u00e1s, num pr\u00f3ximo confronto, a brincadeira parece mudar. Sutilmente. Ele pode n\u00e3o estar jogando, mas falando do jogo de algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso fugir da compara\u00e7\u00e3o com reda\u00e7\u00f5es de escola, quando p\u00f5em a gente para escrever sobre os mais diversos assuntos que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o diversos assim. Parece que \u00e0s vezes o autor est\u00e1 lendo\/zoando um manual. Ou oferecendo um. Um manual. Assim como fica claro que um certo punhado de linhas veio da capa ou da publicidade impressa numa revista antiga. Despretensioso? N\u00e3o \u00e9. Quem tamb\u00e9m escreve percebe isso de pronto e pode ficar pensando se ele de cara fez textos maiores para, em seguida, ir enxugando tudo. Resta a sensa\u00e7\u00e3o de que essa poda, se foi o que aconteceu, acaba abrindo janelas.<\/p>\n\n\n\n<p>De cara, &#8220;Naturezas-mortas&#8221; parecia pegar carona numa brincadeira que rolou, &nbsp;meses\/anos atr\u00e1s: &#8220;Words Only Instagram&#8221; (Insta s\u00f3 de palavras), que se explica pelo pr\u00f3prio nome. Termina mostrando-se bem mais do que isso. Soa &#8220;velho&#8221;, ao sugerir um flerte com outro jogo, o (quase-)falecido Palavras Cruzadas. Quando foi que voc\u00ea leu &#8220;oblongo&#8221; pela \u00faltima vez? As palavras, claro, s\u00e3o pe\u00e7as-chave, na brincadeira. Porque ao se repetirem aqui e ali parecem criar uma unidade, juntar os pedacinhos. Na cabe\u00e7a do leitor que quer achar coisas, assume papel de t\u00e1tica. Jogo \u00e9 jogo. Ent\u00e3o, deixa o cara jogar.<\/p>\n\n\n\n<p>Os textos s\u00e3o elegantes\/comedidos\/curtos e n\u00e3o se deve resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de retornar ao in\u00edcio deles na tentativa de extrair alguma coisa diferente\/nova. Como quando se volta o v\u00eddeo at\u00e9 o momento em que o placar foi aberto. Por que negar-se este prazer? Afinal, h\u00e1 a cada fechamento a sensa\u00e7\u00e3o de que podemos ter perdido algum detalhe. \u00c9 bom perceber um flash de &#8220;terror&#8221;, uma gra\u00e7a que parece n\u00e3o existir pra fazer algu\u00e9m rir. \u00c9 bom sacar um tro\u00e7o ali no miolo, e da arquibancada meter um &#8220;T\u00e1, mas e da\u00ed?&#8221;. \u00c9 massa isolar uma frase que faz todo um par\u00e1grafo valer a pena ou, talvez ao contr\u00e1rio, sentir espa\u00e7o se abrindo para alguma &#8220;disson\u00e2ncia&#8221; ou uma dose de &#8220;impaci\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos diante de um sujeito que \u00e9 bem mais do que candidato \u00e0 vaga de redator-chefe-de-legendas na &#8220;Folha de S. Paulo&#8221;. S\u00f3 l\u00e1 pra ter um cargo assim (modo ir\u00f4nico ligado, t\u00e1?). Seria um novo patamar para as legendas (agora, modo sonhador). Mas o Velasco quer \u00e9 driblar e fazer gol. Deixa o cara, deixa o cara jogar. E seguimos aguardando uma pr\u00f3xima apari\u00e7\u00e3o dele em campo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pode ser preciso ter sangue beeem frio, e muito amor, pra desenrolar sobre futebol com o Tiago Velasco. Isso, no caso de o interlocutor torcer para um time diferente daquele defendido pelo autor de &#8220;Naturezas-mortas&#8221; (Editora Cachalote). 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