{"id":1130,"date":"2024-06-17T10:59:31","date_gmt":"2024-06-17T13:59:31","guid":{"rendered":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=1130"},"modified":"2024-06-17T10:59:32","modified_gmt":"2024-06-17T13:59:32","slug":"saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sambapunk.com.br\/?p=1130","title":{"rendered":"Sa\u00fade!"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o \u00e9 sempre que hospitais grandes d\u00e3o grandes sustos. Quer dizer, os sustos que voc\u00ea pode experimentar num lugar cheio de gente com roupa branca n\u00e3o depende do tamanho do lugar. Depende mais das pessoas. E hoje elas nem sempre est\u00e3o todas vestidas com roupas da mesma cor. Casas de sa\u00fade podem parecer supermercados. Passe cinco horas numa e entenda. Voc\u00ea se pega sorrindo e se pergunta na sequ\u00eancia se pega bem ficar fazendo isso num lugar como aquele, ainda mais numa \u00e1rea de atendimento de emerg\u00eancia. Primeira pergunta: em mercados, \u00e9 mesmo mais f\u00e1cil manter a cara fechada? Talvez, depois do resultado de algum exame, tamb\u00e9m seja mais tranquilo\/poss\u00edvel fazer isso. Not\u00edcias boas nos arrancam risos. Gargalhadas, \u00e0s vezes. Mas, p\u00f4, mostrar os dentes num lugar daqueles, antes at\u00e9 de passar pela triagem em que verificam a press\u00e3o, pode parecer exagero. Ou loucura mesmo.&nbsp; Dependendo do filme, podem apontar na sua dire\u00e7\u00e3o, no corredor, dizendo que voc\u00ea est\u00e1 no hospital errado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ok. Vieram tirar sangue, pediram que enchessem o potinho de urina. Diante da informa\u00e7\u00e3o de que os resultados viriam em uma hora e meia, restava esperar chamarem para a ultra-sonografia abdominal. Musiquinhas\/alarmes de celular ficam muito piores, em salas de espera onde h\u00e1 gente com dor. Bem piores do que sorrisos. Se bem que, sabe, parece haver uma mobiliza\u00e7\u00e3o auditiva em torno de algu\u00e9m que atende a uma liga\u00e7\u00e3o. Gente curiosa&#8230; n\u00e3o seria ali que encontrariam a cura para isso. Falavam em uma hora e meia, a\u00ed, em cima? Tempo mais do que suficiente para muitos alarmes de celular e, claro, para pensar em muita, muita bobagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Na era do \u00f3dio (\u00e0 qual salas de espera de hospitais n\u00e3o est\u00e3o imunes), sorrisos podem ser mais arriscados se h\u00e1 um tiozinho gigante e careca com cara de hooligan, ali, encostado na parede. Sorrisos v\u00e3o, sorrisos v\u00eam, desconversas v\u00e3o, desconversas v\u00eam, ouvidos espichados v\u00e3o, ouvidos espichados v\u00eam e voc\u00ea pode ficar aliviado e quem sabe sorrir mais \u00e0 vontade ao descobrir que o gladiador trabalha na recep\u00e7\u00e3o do hospital. Ah, claro, tinha sido poss\u00edvel v\u00ea-lo, antes, mais cedo, testemunhando que a comida naquele dia estava boa. Mora em Bonsucesso, ele diz, interagindo com a mo\u00e7a que cuida de aplicar analg\u00e9sicos em quem chega com etiqueta amarela. Ela tamb\u00e9m tira sangue para exames, mas, a\u00ed, parece que n\u00e3o precisa de etiqueta nenhuma, s\u00f3 mesmo tr\u00eas formul\u00e1rios preenchidos corretamente e carimbados. Neste mundo de celulares, ainda h\u00e1 carimbos, vejam s\u00f3. \u00c0s vezes, nos vemos diante de um tiozinho. Outras, de um gladiador. Um tiozinho-gladiador, por tanto, ou TG. O TG d\u00e1 detalhes sobre a rua em que fica sua casa, diz que l\u00e1 n\u00e3o tem muito assalto. A \u00faltima frase antes de ele desaparecer faz a gente entender a express\u00e3o que n\u00e3o dava tr\u00e9gua: dor nas coluna.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas vamos \u00e0s bobagens: n\u00e3o \u00e9 uma disputa, mas&#8230; s\u00f3 h\u00e1 uma pessoa, na sala, com caderninho e caneta. Todas as outras est\u00e3o com celular. Deve ser uma m\u00e9dica, a mulher que passou com cal\u00e7a cor-de-rosa. Apareceu, primeiro, com uma blusinha branca. Depois, de jaleco, o que lhe emprestava um ar mais s\u00e9rio. E de poder. Tinha uma postura diferente daquela da mo\u00e7a que obtivera a informa\u00e7\u00e3o do hooligan sobre a seguran\u00e7a p\u00fablica no bairro de Bonsucesso. A mulher de cal\u00e7a cor-de-rosa n\u00e3o sossega na sala. \u00c0s vezes, passa de m\u00e1scara. Outras, sem; como quando andou de blusinha branca. Corredores, mesmo os de enfermarias, podem ser verdadeiras &#8220;passarelas&#8221;. Num dos desfiles, ela falava no celular e demonstrava preocupa\u00e7\u00e3o: &#8220;Isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel!&#8221; Nos olhos de quem estava em volta, via-se a mesma express\u00e3o de espanto e curiosidade que j\u00e1 havia aparecido, antes, nas pessoas que mergulhavam no aparelhinho m\u00e1gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Hm. Uma paciente nova, ali, noutro corredor. Ruiva. Vermelho. Sangue! Teria sido prudente \u2014 ou chato? \u2014 ligar o cron\u00f4metro, quando a mo\u00e7a do sangue falou sobre o prazo para entrega do resultado do exame? A mo\u00e7a do sangue. \u00c9 uma maneira estranha de fazer refer\u00eancia a algu\u00e9m. Claro que depende do lugar de fala. O bom e velho lugar de fala, n\u00e9? Na fila de atendimento da emerg\u00eancia, o senhor Lugar de Fala parecia ter ficado para tr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dona Linguagem Neutra (era dela a etiqueta amarela). Esse papo de lugar de fala cabe aqui? Hospital \u00e9 mais lugar de sangue mesmo. Deve ter gente incomodada com a classifica\u00e7\u00e3o doutora-de-cal\u00e7a-cor-de-rosa. E n\u00e3o h\u00e1 tratamento para isso. Ali\u00e1s, ela estava demorando a aparecer de novo. Ser\u00e1 que todos os dias circula por ali?<\/p>\n\n\n\n<p>Bobagens mais s\u00e9rias pediram passagem. O que uma personagem como Lois Lane tem para aparecer nas fantasiosas elabora\u00e7\u00f5es de um paciente que aguarda not\u00edcias numa emerg\u00eancia de hospital? Lois Lane parecia o jeito de falar, d\u00e1 licen\u00e7a? Dif\u00edcil decidir o que fazer com ela, porque ningu\u00e9m quer arrumar confus\u00e3o com um homem de a\u00e7o. Se a gente pipoca diante de um hooligan, imagina frente a um sujeito que veio de Krypton&#8230; A imin\u00eancia de um julgamento final pode fazer a gente abandonar qualquer caderninho e correr para o smart phone. Cada um foge como pode. Numa tarde hospitalar, pra certos sujeitos, um esconderijo pode ser feito por exemplo de papel e caneta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 sempre que hospitais grandes d\u00e3o grandes sustos. Quer dizer, os sustos que voc\u00ea pode experimentar num lugar cheio de gente com roupa branca n\u00e3o depende do tamanho do lugar. Depende mais das pessoas. 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